sexta-feira, 28 de junho de 2013

Querida Nonô #2

O teu corpinho já está no sítio de descanso. Sinceramente não podia imaginar cantinho mais bonito, ao lado de outros anjinhos poderosos como tu (o teu vizinho chama-se Tiago...ele e os outros anjinhos sem nome vão brincar muito contigo, com certeza). As últimas casinhas dos vossos corpos estão revestidas de relva, e aquele verde-natureza, à sombrinha de uma grande árvore, parece-me um local ideal para, quando lá estiver, só pensar em ti. Porque para pensar em ti, todos os locais serão ideais. Mas fica aquele como teu... Até porque já o marcaste, com o canto dos passarinhos todos que por lá estavam, a cor das borboletas e o zumbido das abelhas. Adorei que ficasses num sítio tão bonito. Tenho a certeza que quando lá for sentirei paz.

Sabe bem ter aquele lugar especial, mas tenho que aprender a ver-te, ouvir-te e sentir-te em todo o lado. Ainda não é fácil, querida, talvez porque me esteja a esforçar muito. Quando me deixo chorar, sem contenção, é mais fácil sentir-te. Sentir a tua mãozinha no meu peito, sentir-te de novo a olhar para tudo. Acho que vai chegar a altura em que já não precisarei de chorar. Tocar-me-ás a todo o momento, quase como quando estavas dentro da minha barriga.

Sinto-me cheia de paz, hoje. Ajudou-me ter tantos amigos (meus, do teu pai, e teus) à nossa volta. Alguns que não víamos há muito tempo, aqueles que por mais que nos esqueçamos de contactar com a falta de tempo do dia-a-dia estão sempre lá nestes momentos, aqueles que que estão lá sempre que é preciso, a família de sangue, a família de coração, e agora um grupo de pessoas que vimos uma ou 2 vezes, e alguns nem nunca vimos, mas que te sentem também como deles. São as pessoas que te deram o passarinho azul e a coroa pequenina, assim do teu tamanho... E te darão muito mais! Sabes que se juntaram para te homenagear, e te dar um presente? Para além das flores mais lindas, vão juntar muito dinheiro para que alguém possa ser ajudado em teu nome... Sabemos que vais ajudar muita gente, mas com a tua luz. Dinheiro se calhar nem sabes o que é, mas diz-se por cá que não traz felicidade, mas pode ajudar em muita coisa necessária. E aqui na Terra, tantos precisam! Agora que vês tudo, aí de cima, deves estar assustada com os horrores de cá: a fome, a pobreza, a falta de altruísmo, a infelicidade... Mas não te assustes, filhota, que aí estás em segurança. E estás no sítio certo para nos inspirar a criar um mundo melhor...

Todos dizem que nunca te vão esquecer, e temos pedido que se lembrem de ti sempre que façam algo bom pelo próximo... Ou melhor ainda: que façam algo bom pelo próximo em teu nome, e que se não tivesses existido e inspirado, não teriam feito. Já viste o poder disso? Se todas as pessoas que se estão a comprometer a fazê-lo o fizerem apenas uma vez na vida, já terás mudado o mundo.

E já compreenderei melhor o que cá vieste fazer num tão curto espaço de tempo, para além de deixares a mamã e o papá perdidos, sem rumo, com a tua ausência. Não digo isto para te assustares, Leonor. Já estamos a caminho de ficar bem... Mas compreender-te, e as tuas razões para teres decidido partir, é importante para seguirmos em frente. Se não entendermos nada antes disso, acontecerá quando no fim dos nossos tempos estiveres à nossa espera para nos abraçar antes da nossa eternidade juntos.

Amo-te, Leonor. Amo-te, mais do que imaginei ser possível. E vendo um bocadinho de ti por tudo e todos, espelharei esse amor e tenho a certeza que serei uma pessoa melhor. Conscientemente melhor.

Obrigada, Nô. Obrigada por teres existido. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Querida Nonô #1

Ontem, por esta hora, estavas no meu colo. Pela primeira vez. Encheste-me o coração com as duas horas em que lá estiveste. Fizeste-me festinhas com a tua mão pequenina, enquanto olhavas para o papá com os teus olhos expressivos. Pedimos-te sempre que tivesses muita força e ficasses connosco. E ficaste... Mas o teu coraçãozinho estava a fraquejar, e os teus intestinos no limiar de te fazer sofrer. E isso era a última coisa que queríamos!

Aí, enchemo-nos de coragem, e demos-te liberdade para escolher. Se quisesses partir, que partisses. Confiámos sempre em ti, e nesse momento também sabíamos que ias fazer o melhor para ti. Mesmo que o melhor para ti nos doesse tanto...

Quando a máquina nos indicou que o teu coraçãozinho tinha parado, eu ainda levantei o cobertor e carreguei muito no sensor. Não queria acreditar... Mas não. Tinhas partido e deixado o nosso coração cheio de amor, mas ao mesmo tempo vazio como nunca o senti.

Lembrarei para sempre esse momento. Lembrarei para sempre todos os momentos que passei contigo nestes 6 dias.

Hoje está mais difícil que ontem. Primeiro porque ontem ainda te abracei. Depois porque hoje parece mais real, e sei que nunca mais te vou poder tocar.

És a nossa estrelinha, e a nossa princesa Leonor. Para sempre. Nunca te esqueceremos, minha filha.

Por favor, nunca se esqueçam dela também, nem da lição de força e amor incondicional que ela nos deus. Um corpinho de 441 gramas onde cabia uma alma do tamanho do mundo.

Amo-te filhota. Não te apoquentes com as minhas lágrimas. Talvez passem... talvez. Eu estou bem e foi uma honra conhecer-te.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Turbilhões

As últimas semanas e dias foram do mais intenso que já vivi antes.

Preocupação, stress, repouso, stress, mais preocupação, optimismo, força, choros intensos, abraços, conforto, mais stress, hospitais, consultas, exames, mais preocupação, frustração, medo, dor, MUITA dor, esfigmomanómetros, anestesia, algálias, cateteres, médicos, ansiedade, conversas difíceis, decisões de vida ou morte, confusão, indecisão.

E uma certeza apenas: fazer tudo ao nosso alcance para dar uma hipótese à Leonor.

A minha placenta formou-se com algum tipo de problema que ainda não sabemos (a Anatomia Patológica há-de dizer). Não alimentava a Leonor. Deixou-a sem condições no meu útero às 24 semanas de gestação, altura em que se começaram a medir os fluxos de forma muito apertada, para perceber quando ela entraria em sofrimento e tentar tirá-la a tempo.

No dia 20 de Junho, às 19h, a ecografia mostrava que os fluxos estavam mal, muito mal. Enviaram-me para Santa Maria dizendo que o parto estava iminente por dias. Mas lá acharam que não seriam dias, e depois de me monitorizarem (porque tinha já o diagnóstico de pré-eclâmpsia, que é algo ruim e perigoso para a mãe) e de muito conferenciarem todos os médicos de Banco, acharam que era urgente repetir a ecografia. E às 2h da manhã lá andei pelos corredores escuros, assustadores e vazios da ala de consultas. A eco estava ainda pior, e não davam muito tempo de vida à minha menina lá dentro...

Vinham as decisões difíceis... Ela ia nascer no final de Setembro! E de repente vejo-me confrontada com a hipótese dela nascer nessa mesma noite, muito pequenina (peso estimado de 470 gramas), muito imatura, e com muito poucas expectativas de se safar (dizia a Neonatologista). Desde as 22 semanas, pela tal pré-eclampsia, que ouvia dizer que o mais certo era terem que acabar com a gravidez para salvar a minha vida e saúde, e que com as 22 semanas nada se podia fazer pela bebé, "não era viável". Só seria "viável" a partir das 24, altura em que podia fazer-se um tratamento com corticóides para maturar a bebé. Mas a Leonor, especificamente, era mesmo MUITO pequenina mesmo para a idade, o que piorava bastante o prognóstico. Mas eu só pensava: aguentámo-nos às 22, às 23, 24, e ainda fizemos 25 e 26! Como posso desistir dela agora? Não há volta atrás! E tentei esquecer tudo o que me mau me diziam sobre as possibilidades do futuro. 

Não podia ser uma decisão tomada só por mim, e chamaram o AF. Chorámos os dois. Ele chorou mesmo, e eu só chorei por dentro. Não sei como, mas sentia-me vazia de outros sentimentos que não fazer o melhor para a Nonô. Perguntava-nos a Neonatologista se queriamos apostar na Leonor. E se queríamos, mesmo conhecendo todos os riscos e prognósticos da prematuridade (e as hipóteses de sobrevivência de uma bebé tão pequenina, mesmo no momento do parto), que apostassem nela. Que havíamos nós de responder? Queremos apostar nela, pois claro! Se nos diziam que a bebé se iria demitir da sua sobrevivência no meu útero dentro de poucas horas, pois claro que tinha que sair, e tinhamos que apostar nela!

Depois era a dúvida: cesariana ou parto vaginal? Não tinha qualquer tipo de dilatação nem contracções, e a indução podia demorar. MUITO. E era perigosa para a Leonor. Sempre que eu perguntava o que seria melhor para ela, respondiam que nem sabiam se havia sequer algo muito bom para ela, e se não seria melhor pensar no melhor para mim. O melhor para mim era parto vaginal. Mas ela não tinha grandes hipóteses de se safar... Mas segundo o ponto de vista médico, com a cesariana a hipótese aumentava um pouquinho, mas não muito. Se aumentava um pouco, então iamos para o melhor para ela. Mesmo que o melhor não fosse BOM. Mas a cesariana trazia grandes riscos para mim... Não risco de vida propriamente, como o AF percebeu de início, mas risco do meu útero ficar comprometido, e ficar impossibilitada de ter gravidezes viáveis no futuro. É que com um útero numa fase tão precoce da gravidez, teria que ser cortado bastante em profundidade, e em largura, para conseguirem ir buscar a Nonô. Então e como podia eu arriscar a hipótese ínfima da Leonor, com base em gravidez futuras que nem sei se irei ter? Tinhamos a Leonor naquele momento, e a hipótese de lutar por ela. Como nâo o fazer?

O AF dizia que a decisão era minha. E eu já tinha decidido ainda antes dele chegar... Tinha muito medo da cesariana, confesso. Muito mesmo. Por mim! Porque não me achava capaz de passar por tudo aquilo sem qualquer preparação prévia, tinha sido tudo muito de repente... Mas já tinha decidido. A partir do momento em que informámos os médicos da nossa decisão, não mais se falou de prognósticos: iamos avançar, e eles dariam o seu melhor!

Começou tudo... Algaliaram-me, punham-me acessos venosos nas mãos, mediam-me a tensão, davam-me medicação, picavam para tirar sangue, e davam-me a anestesia, tudo ao mesmo tempo. Apaniquei. Muito. Comecei a chorar e mal conseguia parar quieta para a epidural. Tremia muito, mas tremores de grande amplitude. Uma enfermeira limpava-me as lágrimas, e penso que ela achou que eu estava a cair em mim na hipótese da Leonor não sobreviver a tudo aquilo... Confesso que não. Naquele momento chorei apenas porque achei que não ia aguentar todo aquele aparato. É muito difícil estar do outro lado... Apaniquei pela claustrofobia do momento: não podia sair dali, e o momento de tudo ter acabado ainda parecia longínquo.

Quando todas as dores passaram e só senti formigueiro, apaniquei de novo: sentia começarem-me a cortar a barriga... Logo quando sentia a perna esquerda dormente, mas a direita normal. "É normal, não se preocupe que a barriga está anestesiada!". É isto que os doentes nas cirurgias nas quais participei sentem? Coitados! É normal sentir tudo? Sentir TANTO? Ok, não há dor, mas sentia tanto do que me faziam! Parecia que os sentia mexerem nas minhas costas através do corte na barriga... Era muito estranho... E eu continuava a tremer, tremer, tremer, conseguindo mexer o suporte para os meus braços onde estava presa...

Depois veio o momento mágico... Aquele em que ouvi um chorar tímido, baixinho, mas constante. Era a minha menina! Ela estava a chorar! Esteve durante um bocado! Não me lembro se parei de tremer nesse momento... Mas foi o momento em que senti: "Sou mãe!". Não vi a Leonor, só a ouvir durante o pouco tempo em que cuidaram dela no Bloco, antes de a encaminharem para os Cuidados Intensivos Neonatais.

"441 gramas! Mas as mulheres não se medem aos palmos, hã?"-disse um pediatra. 441 gramas!! Nem as 470 estimadas na ecografia! Coitadinha da minha pequenina, a fominha que passou dentro de mim...

Sei que exclamaram depois algo sobre a placenta. Não percebi o quê, mas algo de errado se passava com ela... E lá aguentei mais imensas mexedelas. Nesta altura, já nem ligava...Queria saber algo da Nonô! Quando veio um pediatra de máscara ter comigo, fez-me impressão não conseguir ver a cara dele. Não percebi que tipo de notícias ele me trazia... Quando perguntou: "Então, como se vai chamar a princesa?" acho que parei de tremer. Parei de sentir as obstetras mexerem nas minhas entranhas. A pequena tinha sobrevivido, pelo menos até ali! Já estava na incubadora. E estava bem!

Tudo o resto passou a correr. Não liguei mais ao que de físico estava a sentir. Liguei apenas ao alívio brutal de pelo menos aquele passo já ter sido ultrapassado pela Leonor.

No recobro deixaram o André vir ter comigo. Eu tinha frio, muito frio, e já tinha voltado a tremer. Só ele foi chamado à Neonatologia (óbvio que eu não estava em condições) e já só voltei a falar com ele quando já estava no serviço de internamento... Não tinha telemóvel comigo, e queria muito ter novidades da Leonor!

Não tenho bem noção das primeiras horas no Internamento. Tinha muito sono, sentia que não conseguia estar acordada, mas também não dormia, porque me lembro de olhar para o relógio e serem quase sempre as mesmas horas.

A morfina ajudou muito a não ter dores. Tenho-as agora. Mas já passaram 4 dias, e a Nô permanece estável. Não imaginam como é pequenina! Mas como é perfeita no seu tamanho micro...nano!! Agora a luta é outra: só queria que ela se aguentasse! Mas já passou muitos obstáculos que achavam não ser possível, por isso continuarei a confiar nela e na sua vontade de viver.

Renovo o convite para visitarem o blog do papá da Leonor. Ele tem sido muito mais assíduo a dar novidades! E não sei como teria conseguido tudo sem ele...


sábado, 25 de maio de 2013

E antes que alguém mo queira roubar...

TOP 3 da Adek: 1º: AF'zinho, 2º Henryzinho, 3º: Clive Owen'zinho.

O Henry Cavill já é meu, ok? Perguntem ao AF...  Já é "o meu menino" há muitooossss anos, ainda nem se tinha feito um rapazinho tão bem apessoado.

Desculpem, mas tinha que fazer esta ressalva, porque um filme grandalhão está aí na calha, ele é o protagonista, e estou mesmo a ver imensas meninas pelo mundo a babarem...

[Man of Steel, de Zack Snyder]

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Globos de Ouro - gostava de saber comentar os vestidos, mas não sei.

Gosto de ver blogs de moda (ver os bonecos, como os miúdos fazem com os livrinhos deles antes de saberem ler) e acho uma diversão ler (aí sim) os comentários às fotos do pós qualquer Gala em que se tenha que ir bem vestido... Seja em Hollywood, Cannes, ou mesmo por cá, é uma caturreira, como diria a "tia" Ana Bola :)

A grande questão aqui é que vejo uma foto, e penso: "Eh pá, esta está girinha, a cor do vestido é engraçada, e o penteado fica-lhe bem". Leio o comentário e WRONNGGGG!!!! Afinal está horripilante, e nem uma avestruz usava aquele outfit tão mal.

Depois vem uma foto com a qual gozo mentalmente de forma descarada, e segundo quem sabe, aquela é que está um primor, e não poderia ter feito escolha melhor.

"Não acertas uma, Adek Maria..." - vá lá, acerto sempre em duas ou três, mas é sempre tanta gente que esse número não abona muito a meu favor.

Mas ano após ano, evento após evento, lá estou eu a cuscar. Talvez um dia aprenda qualquer coisa...


PS: Só para terem noção, sempre que penso em "vestido lindo" e "alguém a quem tudo fica bem" lembro-me disto:



sábado, 18 de maio de 2013

A história dos dias mais difíceis da minha vida. E do melhor até agora, lá no final...

Sabem...? Nesta minha primeira gravidez fiz o rastreio combinado para as 3 trissomias mais frequentes (ainda que raras, mesmo assim): a 21 - síndrome de Down-, 13 - síndrome de Patau- e 18 - síndrome de Edwards-. Eu não queria muito fazer, porque isso não iria mudar grande coisa no decurso da gravidez (não iria abortar de qualquer forma). Mas por diversas razões que não vêm a caso, lá fiz.

Ecografia + umas pinguinhas de sangue et voilà: DONE. Uns dias depois, recebo um telefonema fatídico do Centro de Genética do Porto, a informar-me que o meu bebé tinha um risco muito elevado de ter síndrome de Down. O meu mundo desabou naquele momento. Foi o dia em eu e o AF tinhamos combinado ir ver um colégio onde gostavamos de inscrever o nosso filho.

Houve algum momento de negação, pois quase todos os casos que tinha visto de risco aumentado eram de 1/100, 1/75 no máximo. O risco do nosso bebé era 1/5. 1/5!! Parecia não haver hipótese do nosso bebé ser geneticamente "normal". Mesmo com os 80% de tudo estar bem, aqueles 20% agigantaram-se de uma forma indescritível.

Respirámos fundo, e por mais difícil que fosse, decidimos manter a calma possível, e continuar com a nossa vida de sempre. Iríamos visitar o colégio como combinado. E tivemos sempre a certeza de que o nosso bebé ia ser amado incondicionalmente, com ou sem um cromossoma a mais.

Combinámos fazer amniocentese, para termos a certeza. Preciso de imaginar e antecipar, e por isso se o nosso filho ia ter alguma deficiência cromossómica, queriamos estar preparados, sabendo. Mas ainda faltava uma semana para entrar na semana ideal para fazer este exame, e o resultado também demoraria mais algum tempo.

Sufoco da incerteza... Tinha dias em que tinha a certeza que ia correr tudo bem (fosse lá o que fosse bem) e tinha momentos em que me sentia claustrofóbica, presa naquela situação que não sabia bem definir.

Adorámos o colégio, trouxemos a ficha de inscrição, onde perguntava se havia alguma doença conhecida ou cuidados especiais a ter com o bebé. Nós ainda não sabiamos responder a isso...

Dias depois, chegaram os resultados escritos. Risco baixíssimo para síndrome de Edwards (1/44832), mas risco aumentado para síndrome de Patau (1/95) e o altíssimo para síndrome de Down que já referi. Tínhamos mais um risco para juntar aos medos. Ao telefone, dado o 1/5, nem me falaram na outra síndrome. Mas confesso que, tomada a decisão de fazer a amniocentese, não me concentrei muito no risco de Edwards... Já estava por tudo, era o que fosse. Haviamos de ser fortes. Haviamos de ser uma boa família para este novo ser. Eu tinha essa certeza...

Lá fiz a amniocentese... E com ela o medo dos riscos associados. Há o risco de aborto de cerca de 1/200. Mas mais uma vez, foram medos pequenos. Portei-me muito bem na espetadela, acho. Doeu, fez muita impressão, foi muito invasivo. Mas tinha a certeza que se ficasse muito quietinha, ia tudo correr bem. E fiquei muito quietinha também nos 2 dias seguintes, como recomendado.

E veio a espera... Pedi para contactarem o AF. Porque me custou muito dar-lhe a notícia do risco. Não queria ser eu a dar qualquer notícia que chegasse do Hospital. Queria que ma dessem a mim.

A amniocentese faz uma espécie de um mapa genético completo do bebé (incluindo dos cromossomas sexuais), mas foi pedido um resultado rápido específico para as trissomias que mais nos assombravam. Fiz a amniocentese numa quarta, o resultado chegaria na semana seguinte. Eu tinha esperança que ainda dissessem alguma coisa na sexta. Mas não disseram...


Mas também não disseram na segunda...


Na terça, o AF ligou ao médico, e ele disse que ainda não tinha novidades. O AF mandou-me uma mensagem a informar de que o sufoco ainda não estava para acabar. Estava eu a responder um "OH não!!!!!" muito sentido, quando entrou nova mensagem, a dizer "É NORMAL!!! E É MENINA!!!!".

Não sei explicar o que senti naquele momento. Mas apeteceu-me abraçar o mundo. Estava tudo bem, e a nossa Leonor vinha a caminho (eu sempre tinha sentido que seria menina).

Por que tivemos que passar por isto? Não sei. Há-de haver uma qualquer razão. Nem que seja valorizarmos a sério aquilo que nos parecia estar garantido... Pela minha idade, por riscos familiares, sempre achámos que tinhamos riscos baixinhos de algo correr mal. Foi um susto e uma "lição".

Ainda pode algo correr mal, não tenhamos ilusões... Mas cada passinho é valioso, e para já estamos apenas com espírito positivo.

Mamãs a quem aconteça o mesmo, não percam a esperança! Como dizem na Dodot, há-de tudo correr bem!

PS: Não julgo, de todo, quem decidiria abortar caso algum problema médico se confirmasse. Tenho noção de que é um compromisso para a vida e respeito todas as decisões a este respeito!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quando era pequena, não gostava de:

- Sopa

- Saladas

- Tomar banho

- Ver telejornais

- Política

Agora gosto e não me lembro bem quando comecei a mudar.

PS: Ao contrário, coisas que gostava e já não gosto, não me lembro de nada... Aliás, estou mortinha para que a Leonor comece a brincar às Barbies comigo e a querer ver filmes da Disney :D

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Anita na Cozinha

Aqui a menina Adek gosta muito de comer. Também gosto de cozinhar, mas não tenho muito o hábito de seguir receitas... Vejo uma foto de algo com bom aspecto, e tento imitar "a olho".

Talvez seja por isso que sou um pouco naba com bolos... Mas gostava de mudar isso.

Há por aí sugestões de receitas de bolinhos bons (para principiante :P) que queiram partilhar?

Obrigadinha!

PS: e caracóis de frutas... POR FAVOR, se alguém tiver uma receita porreirinha para eles, não hesite! Essa nem precisa de ser para principiante, que eu treino-a até virar profissional.

sábado, 11 de maio de 2013

Leonor C. R.

Tenho andado desaparecida. Muito trabalho e alguns stresses que talvez ainda conte... MAS...

É uma Leonor! Também podia ser uma Laura ou Madalena, porque parece que Leonor está a ser um nome muito usado, mas a mãe é Ana e não sofreu com isso. Depois de só lhe chamarmos Leonor e Nonô, já não há nada a fazer. É Leonor para toda a gente...

E agora sabemos que é MESMO! Não há pirilaus ao barulho, e o Daniel terá que ficar para a próxima.

Vem daí, Nonô, que a mamã e o papá mal podem esperar por te conhecer! :D

PS: Tinha na ideia que, mal se confirmasse que era menina (eu sempre soube, mas pronto:P) ia a correr para  a Disney Store mais próxima comprar uma Boo. A senhora na caixa: "Ah, que giro, vão comprar uma filha! É muito parecida convosco!". 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Apresento-vos a Leonor! Ou o Daniel!

Cá está a nossa pequenina... Nós sentimos que é menina, achamos que tem cara de menina, e no fim na volta levamos com um pirilau. Mas para já chamamos-lhe Nonô :P Não é linda?
O médico assustou-nos a dizer que eram gémeos. ME-DO. Mas estava na brincadeira. O pobre do AF é que só percebeu no fim... Não usufruiu tanto do momento como eu, certamente...