domingo, 18 de agosto de 2013

Querida Nonô #11 - João Nora

A mamã e o papá estiveram a passear. Apanhei sol (já estou mega bronzeada com muito pouco tempo de sol, e até tive direito a ganhar uma alergia), já nadei uns bocadinhos, apesar de só poder começar com exercício mais vigoroso lá mais para os fins de Setembro, e vi coisas LINDAS. Bem sabes que agora todas as coisas bonitas me fazem lembrar de ti. E os pássaros... E as estrelas... E as borboletas...

E todos os bebés, claro. Que me fazem lembrar como não te vou ver crescer, abraçar, ver dizer as primeiras palavras, ensinar tudo o que sei... Mas agora também já sabes tudo. Tu é que me vais ensinando, e os abraços e beijos têm que ser dados com o coração. Sou uma mamã diferente, para uma filhota muito especial. 

Às vezes pergunto-me se estás por aí, se sentes o que sinto, se ouves o que digo. Nesses momentos em que preciso de um sinal, não me costumas deixar ficar mal. E no dia em que estava a ficar desiludida por não conseguir ver nenhuma "estrela" cadente em plena fase de "Chuva de Estrelas", lá me queixei a ti, e uns segundos depois passaram 3 estrelas lindas, seguidinhas! Serão coincidências? Talvez... Mas prefiro acreditar que foste tu, e que não mais me deixarás sentir sozinha. Agora rezo-te a ti. E confio em ti.

Por isso vou-te rezar por um senhor com quem a mamã nunca esteve, mas que já entrou também no meu coração. Já ouvi falar muito dele, sempre coisas boas. Boa pessoa, solidário, não deixando ninguém ficar mal, com muitos valores que neste mundo já escasseiam. É o João Nora, e ele está doente, com uma coisa muito chata, que vai apagando o nosso corpo aos poucos, até que a alma não consegue mais estar por cá, pois a vontade de ir para esse sítio bonito onde estás é muito maior. E é uma doença que dá muitas dores, e faz sofrer muito o corpo... Mas tal como a mamã às vezes fica triste por já não estares aqui comigo, o senhor João também tem família que o adora, e que, se ele for ter contigo, vai ter muitas saudades e chorar como a mamã às vezes chora por ti. Por isso peço-te, querida Leonor, ajuda esta família a aproveitar todos os momentos como se fossem o último, e ajuda o João a ter força para mais um dia de cada vez por cá, tantos quantos ele consiga, e tantos quantos precise para levar muito boas memórias de cá. Aposto que vai ter muitas histórias para te contar! É muito difícil perceber isso, mas tal como eu tive a dádiva de viver contigo 6 dias na sua plenitude, o João também tem uma indicação da Natureza de que pode não ter muito tempo por cá... Também pode ter ainda muito tempo, ninguém sabe, mas "viver cada dia como se fosse o último" já ninguém lhe tira, mesmo que viva ainda mais cem anos! É um privilégio aprender isso. Mesmo que seja em circunstâncias que doam tanto. Mas, lá está, temos que confiar!

Envia alguma força ao João... Dessa que tu tens e me mandas todos os dias para que eu continue em frente. Nunca nos deixes, Leonor. Tal como o João nunca deixará a sua família. NUNCA.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cloud Atlas

"Belief, like fear or love, is a force to be understood as we understand the Theory of Relativity and Principles of Uncertainty: phenomenon that determine the course of our lives. Yesterday, my life was headed in one direction. Today, it is headed in another. Yesterday I believed that I would never have done what I did today. These forces that often remake time and space, that can shape and alter who we imagine ourselves to be, begin long before we are born and continue after we perish. Our lives and our choices, like quantum trajectories, are understood moment to moment. At each point of intersection, each encounter suggests a new potential direction. I feel like something important has happened to me. Is this possible?"



Já perdi a conta às vezes que vi este trailer. Adoro-o. Adoro a banda sonora. E gostei do filme. Mas não tanto como gosto do trailer... Vamos também ver se gosto do livro.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Não sou do tempo de as usar na escola...

Já sabia que as redes sociais nos traziam oportunidades que a maioria das vezes não imaginamos, até tentar... Mas também há pequenas coisas muito giras que acontecem! Lembrei-me que gostaria de ter uma lousa "à antiga", mas não estava fácil de encontrar. Coloquei o apelo no Facebook, para que quem soubesse me desse uma ideia de onde encontrar.

Várias pessoas deram sugestões, e 2 dias depois uma amiga da família entregou uma em mãos aos meus pais, para eu ficar com ela. Não é engraçado? :)



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dúvidas...

Em questionários, na pergunta "Tem filhos?" respondo o quê?

Respondi no outro dia "Sim", mas conforme as perguntas que vieram depois percebi que se calhar não faz muito sentido... Mas sou mamã! Certo?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

All you need is love :)



Vamos lá receber Agosto com muito amor, como esta batata [que certo dia apareceu em casa dos meus pais] nos quis ensinar! Feliz Agosto! "Make it count" ;)


quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Tempo...

"O tempo cura tudo", dizem...

Há um ano atrás não fazia ideia do que estaria a passar hoje. Não havia ainda sequer nenhuma pista da Leonor na Terra. Agora voltei às mesmas circunstâncias de vida de há um ano atrás... Eu e o AF, num dia-a-dia a dois. Na altura era plenamente feliz. Agora falta qualquer coisa... Qualquer coisa que não sonhava há um ano. Há pouco mais de 7 meses. E no entanto, agora há momentos em que parece que só isso importa. Tudo o que antes fazia sentido, agora é um grande puzzle. 

Estranha coisa esta: o tempo!

Para quem viu "Once Upon a Time", a imagem mais recorrente que me tem vindo à cabeça é o coração da Snow White, antes imaculado, mas que ganhou uma manchinha. Agora também tenho uma marca no meu coração. A da saudade, do que não foi, da incerteza... Há dias em que me lembro mais dessa marca. Dessa tatuagem na minha alma...

Outros dias lembro-me mais da outra marca...a que tem todas as cores, luz e esperança. A marca que me faz sorrir com as coisas boas. Que me dá muita vontade de seguir em frente e procurar de novo a felicidade plena.

Há ainda os dias do vazio. Aqueles em que estou neutra quanto a sentir as marcas (nem prevalece a mais escura nem a do arco-íris). É nessas alturas que o coração me dói. E fico muito inquieta, porque aprendi a tentar diariamente aproveitar todos os dias como se fossem o último. E com certeza não quereria passar o meu último dia amorfa... Mas respiro fundo e continuo. E rezo pelas cores... E fico com a certeza que o Universo me dará a oportunidade de ter pelo menos mais um dia, para tentar tudo de novo...

Caminho estranho, este... Às vezes ainda não o compreendo bem. Não sei como reagir. Não sei o que sentir. Estou de novo a aprender a andar, como uma criança. Felizmente, sinto muitas mãos a ajudar-me a erguer e a dar os primeiros passos... E não levam a mal que eu me desequilibre! Estão lá sempre a dar-me confiança de que vou voltar a andar sem medo. A correr, até!


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Splendor in the grass

"(...)What though the radiance which was once so bright
      Be now for ever taken from my sight,
      Though nothing can bring back the hour
      Of splendour in the grass, of glory in the flower;
      We will grieve not, rather find
      Strength in what remains behind;
      In the primal sympathy
      Which having been must ever be;
      In the soothing thoughts that spring
      Out of human suffering;
      In the faith that looks through death,
      In years that bring the philosophic mind. (...)"


Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood
William Wordsworth



sexta-feira, 26 de julho de 2013

O 6º dia.

A minha pequenina partiu há um mês. As últimas horas com ela foram avassaladoras, mágicas, intensas e devastadoras.

Mas há um momento que não vos contei ainda. Ao meu colinho, a Nonô foi baptizada. Na minha cabeça, antes de tudo, ia ser uma festa linda, talvez quando ela fizesse um aninho, e eu e o AF iamos casar-nos pela Igreja no mesmo dia. Não foi assim, mas quando a enfermeira perguntou se queriamos baptizá-la, eu achei que era uma última coisa bonita que podiamos fazer por ela. Uma cerimónia muito íntima, que, nem sei bem porquê, se tornou muito especial para mim.

Não acho que os bebés não baptizados vão para o limbo ou para o inferno ou o que seja. Não me faz sequer sentido existir tal coisa. Acho que todos os bebés que vão antes do tempo vão para um sítio lindo, com tal perfeição que nem cabe no nosso entendimento. Não foi por isso que gostei de a baptizar. Foi a presença do Capelão, de duas das enfermeiras que tão bem cuidaram dela, e nós todos ali a velarmos por ela. Mais pessoas do que nós a dedicarem-lhe uns momentos. E depois ver mais uma vez a rapidez com que "despachou" tudo: foi baptizada, a minha Leonor C. R., recebeu o crisma e a Santa Unção. Uma espécie de curso intensivo da religião. Rezámos todos um Pai-Nosso. E o Capelão rezou por ela também na missa do Hospital nesse dia. Disse-me depois, em telefonema, que contou a história de uma menina muito pequenina que tinha estado muito pouco tempo connosco. E todos rezaram mais uma vez em memória dela.

Foi uma cerimónia muito íntima. Longe do que eu tinha planeado. Mas as dezenas de pessoas que gostaram dela, que torceram por ela, estiveram connosco, no nosso coração. E aposto que a Nô agradece!

Tudo o que for feito para a honrar e lembrar, atenua um bocadinho mais esta dor que teima em ficar pelo meu coração. Agradeço também por me ajudarem diariamente nisto! Tenho revivido muito alguns momentos que mais custaram. E fico muito nervosa, como se pudesse ainda fazer alguma coisa. Quando caio em mim e percebo que não, que já não posso fazer nada, fico muito triste. Hoje tem sido um desses dias... Mas chorar também faz bem. Bate-se no fundo de vez em quando, para depois voltarmos a reerguer-nos. E cada vez com mais força para a honrar, espero.

Para ficarem com os dados do baptizado aqui na nossa paróquia, o Padre de cá enviou-nos uma cartinha. Junto colocou uma oração de Santo Agostinho, com que termino este texto:

"Se conhecesses o mistério imenso do Céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim, esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo, pensa nesta casa
onde um dia estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na fonte inesgotável da alegria e do amor infinito.
Não chores, se verdadeiramente me amas!"

terça-feira, 23 de julho de 2013

" As pessoas têm estrelas que não são as mesmas..."

 "...Para os viajantes, as estrelas são guias. Paa outros, não passam de luzinhas. Para outros, os cientistas, são problemas. Para o meu homem de negócios, eram ouro. Mas todas essas estrelas estão caladas. Tu, tu vais ter estrelas como mais ninguém...
  - O que é que isso quer dizer?
  - À noite, pões-te a olhar para o céu e, como eu moro numa delas, como eu me estou a rir numa delas, para ti, é como se todas as estrelas se rissem! Vais ser a única pessoa no mundo com estrelas capazes de rir!
  E voltou a rir.
  - E quando te tiveres consolado (porque acabamos sempre por nos consolar), hás-de sentir-te muito contente por me teres conhecido. Hás-de ser sempre meu amigo. Vai-te apetecer rir comigo. E, às vezes, sem mais nem menos, vai-te dar para abrir a janela só porque é bom. E os teus amigos hão-de ficar de boca aberta quando te ouvirem rir a olhar para o céu. Mas tu dizes-lhes "Pois é! As estrelas sempre me deram vontade de rir!" E eles ficam a pensar que tu estás maluco. Rica partida que eu te vou pregar, não é?
  E voltou a rir.
 - É como se, em vez de estrelas, eu te desse quinhentos milhões de guizinhos capazes de rir!
 E voltou a rir. Depois, fez-se sério e disse:
 - Esta noite...vê lá se percebes... Não venhas comigo.
 - Vou! Vou! Não te quero abandonar!
 - Mas há-de parecer que me dói muito. Há-de parecer que estou a morrer.
 (...)
 - Vais ter pena. Vai parecer que eu estou morto e não é verdade.
 Eu continuava calado.
 - Percebes?... É que é muito longe e eu não posso levar este corpo... É pesado demais...
 Eu continuava calado.
 - Mas é como uma velha casca abandonada. As cascas velhas não não uma coisa triste...
Eu continuava calado.
(...)
 - Vai ser tão divertido! Tu vais ter quinhentos milhões de guizinhos e eu, quinhentos milhões de fontes...

"O Principezinho", Antoine de Saint-Exupéry