quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"O tempo passa a voar"...

...dizem...

Não me parece nada. Talvez isso mude quando começar a trabalhar. Está quase... Nessa altura deve entrar o "Fast Forward" de que todos falam.

É que assim de repente, desde Junho, passaram à volta de 3 meses e parecem-me anos... Muitos anos!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

The Odd Life of Timothy Green







"If you came to me and said there are two people in the world who want you more than anything, that they’ll do their best, they’ll make some mistakes, and you’ll only get them for a short time, but they will love you more than you can ever imagine... well, when that’s true, I’d say so much is possible! "

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Sou uma mãe que também perdeu um filho. Quero dizer-lhe que ainda vai ser feliz"


Conheci o livro pela blogosfera, e mal me cruzei com ele numa livraria, sabia que o tinha de comprar... Os timings da vida são fascinantes. E este livro veio no momento certo. É curioso como uma experiência tão forte aproxima tanto pessoas que provavelmente antes não tinham nada a ver umas com as outras. É um marco tão avassalador da nossa história, que de repente nos sentimos íntimos de alguém, só porque ambos passamos pelo mesmo. Não é preciso muito mais...

Revi-me em muitas palavras dos pais do livro. As borboletas brancas, os passarinhos, que nos fazem lembrar os nossos pequenitos que partiram. A abertura dos nossos olhos e do nosso coração à beleza da Natureza, ao aproveitar a calma do sol, da chuva, do nevoeiro, do frio e do calor, ao sentir tudo o que for bonito e se cruzar no meu caminho, tocar-nos de maneirsas nunca antes sentidas. A sede de querer viver tudo o que pudermos, e mesmo o não fazer nada e apenas contemplar, saberem a muito. A vontade de construir algo com a maior dor que já sentimos. A urgência de encontrar um sentido para tudo isto. A vontade de querer avançar, e às vezes não saber bem como. A inércia de por vezes ver o mundo a andar freneticamente, e nós estarmos como que parados no tempo. E a força de cada palavra, cada gesto, cada lembrança relacionada com quem partiu... Como alguém diz no livro a um dos pais, e é bem verdade:

"Não sei como se sobrevive à morte de um filho. Mas achei que, se me acontecesse, gostaria de saber que o meu filho tinha marcado a vida de alguém".

Obrigada a todos os que, diariamente, me contam como a Nô marcou e inspirou as suas vidas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Prematuridade (e 3 meses sem ti por cá...)

Hoje era a data prevista de parto da Leonor. Em vez disso, faz três meses que ela nos deixou.

Ainda não sei qual terá sido a missão dela por cá, mas acredito que a passagem dela foi importante. Se tentar pensar sobre isso, de uma coisa tenho a certeza: ela trouxe à minha vida uma temática antes quase desconhecida: a prematuridade.

Não fazia ideia da guerra que era. Agora faço... Foi um caminho curto, o meu, mas serviu para compreender a violência da rotina dos pais prematuros.

Viver a Prematuridade com um bebé numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais é:

- Conhecer o nosso bebé muito antes do previsto, muito antes de estarmos preparados a vários níveis para o receber.

- Ultrapassar a ideia de que não vamos ter a rotina da gravidez e nascimento de um filho como a maioria das pessoas à nossa volta têm, e como imaginámos nos nossos sonhos e antecipações.

- Conhecer o nosso bebé através de uma barreira física, e gerir o balanço entre o ímpeto de o abraçar e o pavor de o infectar.

- É fazer contas e mais contas, para tentar perceber as prioridades de quem há-de conhecer o filhote primeiro, porque o número de visitas é limitado (na UCIN onde a Leonor esteve era 1 por dia, durante 5 minutos.) Ainda hoje lamento tão pouca gente tê-la conhecido para lá dos vídeos e das fotos.

- É sofrer, como mãe, a cada picada, cada transfusão, cada acto mais invasivo, cada dose de radiação a um corpinho tão pequenino, cada cirurgia (por esta a Nô não chegou a passar).

- É estar nervoso 24/dia (muitas dessas horas ultrapassa-se o nervosismo e passa-se a pânico), não ter fome, não ter vontade de fazer mais nada senão estar ao lado da incubadora, a fazer, no fundo, NADA. A olhar, a cantar, a falar, a AMAR.

- É a dor de sair a porta do Hospital, para dormir, sabendo que não levamos o nosso tesouro connosco, e sentir o vazio em casa... Pois era suposto o bebé sair do casulinho da nossa barriga, para nossa casa. E ele não está já num sítio nem noutro.

- É não conseguir descansar. É dormir umas horas, para o mais cedo possível acordar, tomar banho e vestir à pressa para correr para a UCIN.

- É o aprender realmente o que significa viver um dia de cada vez e fazê-lo na sua plenitude.

- É o pânico de na UCIN haver praticamente sempre um alarme a apitar... É olhar à volta para ver de que bebé é o alarme... Se é do nosso, se do vizinho...Depois de percebermos que é do nosso, perceber se é a saturação, a frequência cardíaca, a frequência respiratória, a sonda que terminou de passar o alimento, a temperatura corporal, a temperatura da incubadora, a humidade...e tentar perceber se é grave, ou uma alteração momentânea ou de mau contacto.

- É muitas vezes tirar leite para ninguém... porque é provável que o bebé venha a precisar, mas ainda não está suficientemente preparado a nível intestinal para começar a receber.

- É sentirmo-nos excluídas da maternidade... Vermos que somos totalmente inúteis para o nosso bebé, e têm que ser pessoas especializadas a "mamã" do nosso filho. São eles que dão o banho, mudam a fralda, alimentam, e nós ficamos de fora, quais seres estranhos ao nosso tesouro, a olhar...

- É manter a esperança para além do que imaginávamos. É ir buscar forças para além do que achávamos possível. É sofrer de maneiras que nunca nos passaram pela cabeça. É viver como nunca previmos. É ver a vida a passar à nossa frente, e nós parecemos estáticos, mas mudamos. Mudamos a forma como vemos a vida, as relações, o amor. Mudamos... apesar do mundo continuar o mesmo.

- É o pânico de, quando não se está na UCIN, receber uma chamada. 

Nós só recebemos uma, mas foi a chamada mais dura que recebi na vida. E provavelmente a mais dura que receberei... 

Tocou o telemóvel do AF, eram 5 da manhã. Acordámos estremunhados, e ele não foi a tempo de atender a chamada. A seguir tocou o meu. Não havia dúvidas do que seria...

- "Mamã, a Leonor não se está a portar lá muito bem... Se calhar era melhor virem"

Não me lembro de me vestir. Lembro-me de chorar, de repetir para mim "tudo há-de correr bem" mil vezes, para mim e em voz alta. Disse-o até à entrada do Hospital. Disse-o para mim própria, quando a médica disse que as coisas não estavam famosas... Que provavelmente era o fim. Quando a enfermeira disse o mesmo. Quando percebi que nos estavam a tratar com pena. Quando percebi que já não se preocupavam com as infecções, e me iam deixar pegar nela. Repeti-o até à exaustão, enquanto a tinha ao meu colo, e via as frequências cardíacas no monitor variarem entre 30 e 200 em gráficos malucos. "Tudo há-de correr bem, Leonor!". Disse-o para mim mesma quando a máquina deu frequência cardíaca zero. Acreditei que era mais um mau contacto das máquinas... Acreditei até a Leonor partir.

E depois de tudo isto, tenho para mim que o devo continuar a repetir até ao fim dos meus dias: 

"Tudo há-de correr bem!".



terça-feira, 24 de setembro de 2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Amor # 1



A tartaruga que queria fazer amigos :) E encontrou-os. Amigos improváveis, mas encontrou!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A Ciganita

Fui à consulta de acompanhamento pós-parto. A caminho do piso da consulta, uma ciganita pequenina começou a correr à minha volta, a cantar um alegre "LALALALALA". Sorri para ela. Logo depois vem a mãe, com um ar desesperado, e põe-me um papel na mão.

- Maria!!! Pára com isso,não incomodes as pessoas! Menina, eu não sei ler! Diz aqui quando é a próxima consulta? Em que dia e a que horas?

Espreitei o papel. 

- A médica escreveu aqui que é no dia 18. As horas é que não escreveu.

Pensei um pouco nos procedimentos habituais, e acrescentei:

- Mas foi à secretaria? Tem que ir lá com este papel, e eles depois é que confirmam.

- Mas onde é a secretaria? Eu não sei! Eu não percebo nada disso!

- Não faz mal. Venha lá comigo...

- Vai para lá? Também está grávida?

- Estive.

- Então o bebé?

- A bebé nasceu cedo demais, às 26 semanas. Seis dias depois, partiu.

- Xiiiiiii!! 26 semanas??? Coitadinha!!... Hmmmm....26 semanas... isso é pouco não é? Quantos meses são?

- À volta dos 6 meses e meio.

- Ah... É pouco, não é? Eu também perdi 3 antes daquela - e apontou para a pequenita que cantava. - E tenho um de 3 meses em casa. E agora tenho este na barriga.

Sorri. Ela sorriu.

Lá chegámos à secretaria, e marcaram a consulta.

- Que bom que vim consigo, porque isto é longe de onde eu tive a consulta. Não sei se dava com isto. Obrigada!

- De nada. E felicidades para os pequenos todos.

Agarrou-me na mão, e ao contrário da maioria das ciganas que me agarraram na mão naquele Hospital, ela não olhou para a mão, a tentar cobrar-me por uma leitura de sina. Olhou para mim a acenar com a cabeça, e disse:

- Não tarda vai ter também um bebé. E com os 9 meses todos! Tem que ter muita força, mas vai correr bem.

Foi a primeira vez que não me queriam ler a sina, e foi a primeira vez que eu gostaria que aquelas palavras fossem realmente o meu futuro :)


[PS: Não usei a palavra "Ciganita" com qualquer tom depreciativo, obviamente. Usei-a porque me faz lembrar uma saga de que gostava em miúda, com "Os Cinco e a Ciganita". E porque neste caso eram bastante concordantes com o estereótipo :)]

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A "minha" novela :)


Já não via nenhuma desde "As Mulheres de Areia". Mas gosto desta...Apesar de ter ideia que sou das únicas pessoas a ver. Vá lá, se há mais alguém por aí, apareçam, para discutirmos coisas importantes como o futuro filho do Fernando, a relação do Padre Luís com a Marina, a Teresa vir para a aldeia para ficar com o Xavier, ou o João finalmente ir à vidinha dele, porque é das personagens mais irritantes de todos os tempos...

Anyone?