sábado, 18 de maio de 2013

A história dos dias mais difíceis da minha vida. E do melhor até agora, lá no final...

Sabem...? Nesta minha primeira gravidez fiz o rastreio combinado para as 3 trissomias mais frequentes (ainda que raras, mesmo assim): a 21 - síndrome de Down-, 13 - síndrome de Patau- e 18 - síndrome de Edwards-. Eu não queria muito fazer, porque isso não iria mudar grande coisa no decurso da gravidez (não iria abortar de qualquer forma). Mas por diversas razões que não vêm a caso, lá fiz.

Ecografia + umas pinguinhas de sangue et voilà: DONE. Uns dias depois, recebo um telefonema fatídico do Centro de Genética do Porto, a informar-me que o meu bebé tinha um risco muito elevado de ter síndrome de Down. O meu mundo desabou naquele momento. Foi o dia em eu e o AF tinhamos combinado ir ver um colégio onde gostavamos de inscrever o nosso filho.

Houve algum momento de negação, pois quase todos os casos que tinha visto de risco aumentado eram de 1/100, 1/75 no máximo. O risco do nosso bebé era 1/5. 1/5!! Parecia não haver hipótese do nosso bebé ser geneticamente "normal". Mesmo com os 80% de tudo estar bem, aqueles 20% agigantaram-se de uma forma indescritível.

Respirámos fundo, e por mais difícil que fosse, decidimos manter a calma possível, e continuar com a nossa vida de sempre. Iríamos visitar o colégio como combinado. E tivemos sempre a certeza de que o nosso bebé ia ser amado incondicionalmente, com ou sem um cromossoma a mais.

Combinámos fazer amniocentese, para termos a certeza. Preciso de imaginar e antecipar, e por isso se o nosso filho ia ter alguma deficiência cromossómica, queriamos estar preparados, sabendo. Mas ainda faltava uma semana para entrar na semana ideal para fazer este exame, e o resultado também demoraria mais algum tempo.

Sufoco da incerteza... Tinha dias em que tinha a certeza que ia correr tudo bem (fosse lá o que fosse bem) e tinha momentos em que me sentia claustrofóbica, presa naquela situação que não sabia bem definir.

Adorámos o colégio, trouxemos a ficha de inscrição, onde perguntava se havia alguma doença conhecida ou cuidados especiais a ter com o bebé. Nós ainda não sabiamos responder a isso...

Dias depois, chegaram os resultados escritos. Risco baixíssimo para síndrome de Edwards (1/44832), mas risco aumentado para síndrome de Patau (1/95) e o altíssimo para síndrome de Down que já referi. Tínhamos mais um risco para juntar aos medos. Ao telefone, dado o 1/5, nem me falaram na outra síndrome. Mas confesso que, tomada a decisão de fazer a amniocentese, não me concentrei muito no risco de Edwards... Já estava por tudo, era o que fosse. Haviamos de ser fortes. Haviamos de ser uma boa família para este novo ser. Eu tinha essa certeza...

Lá fiz a amniocentese... E com ela o medo dos riscos associados. Há o risco de aborto de cerca de 1/200. Mas mais uma vez, foram medos pequenos. Portei-me muito bem na espetadela, acho. Doeu, fez muita impressão, foi muito invasivo. Mas tinha a certeza que se ficasse muito quietinha, ia tudo correr bem. E fiquei muito quietinha também nos 2 dias seguintes, como recomendado.

E veio a espera... Pedi para contactarem o AF. Porque me custou muito dar-lhe a notícia do risco. Não queria ser eu a dar qualquer notícia que chegasse do Hospital. Queria que ma dessem a mim.

A amniocentese faz uma espécie de um mapa genético completo do bebé (incluindo dos cromossomas sexuais), mas foi pedido um resultado rápido específico para as trissomias que mais nos assombravam. Fiz a amniocentese numa quarta, o resultado chegaria na semana seguinte. Eu tinha esperança que ainda dissessem alguma coisa na sexta. Mas não disseram...


Mas também não disseram na segunda...


Na terça, o AF ligou ao médico, e ele disse que ainda não tinha novidades. O AF mandou-me uma mensagem a informar de que o sufoco ainda não estava para acabar. Estava eu a responder um "OH não!!!!!" muito sentido, quando entrou nova mensagem, a dizer "É NORMAL!!! E É MENINA!!!!".

Não sei explicar o que senti naquele momento. Mas apeteceu-me abraçar o mundo. Estava tudo bem, e a nossa Leonor vinha a caminho (eu sempre tinha sentido que seria menina).

Por que tivemos que passar por isto? Não sei. Há-de haver uma qualquer razão. Nem que seja valorizarmos a sério aquilo que nos parecia estar garantido... Pela minha idade, por riscos familiares, sempre achámos que tinhamos riscos baixinhos de algo correr mal. Foi um susto e uma "lição".

Ainda pode algo correr mal, não tenhamos ilusões... Mas cada passinho é valioso, e para já estamos apenas com espírito positivo.

Mamãs a quem aconteça o mesmo, não percam a esperança! Como dizem na Dodot, há-de tudo correr bem!

PS: Não julgo, de todo, quem decidiria abortar caso algum problema médico se confirmasse. Tenho noção de que é um compromisso para a vida e respeito todas as decisões a este respeito!

19 comentários:

  1. Oh querida, li com um sufoco, mas terminei com um sorriso. Tudo está bem quando acabe bem!

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    1. Esta fase já acabou bem:D Vamos ver as próximas!

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  2. Conheço tão bem tudo o que descreveste aí... Mas felizmente está tudo bem!! bjs grandes e aproveitem cada bocadinho ;)

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    1. Estamos a tentar, sim :D Mal podemos esperar por ter a nossa Leonor nos braços!

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  3. Mais uma vez o teu optimismo e a tua força venceram! A Leonor vai ser uma grande mulher! Beijinhos para todos.

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    1. Muito obrigada:D Espero que sim! Venha ela, para a vermos crescer :D

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  4. nem quero imaginar o sufoco que devem ter sido esses dias... felizmente tudo não passou de um susto...

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    1. Foram muito maus, sim... Mas é sempre bom ter uma comparação... Assim os que vêm depois são ainda melhores :D

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  5. Ainda bem que correu tudo bem :) Espero que continue assim! Beijinhos*

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  6. Ai querida, que pânico. Claro que todas as crianças merecem ser amadas, mas ninguém deseja ter um bebé com uma deficiência - o que não invalida que ame esse bebé, claro. Imagino o teu sufoco... fico mesmo feliz!!

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    1. Claro, nunca foi a nossa preferência... Mas pronto, teriamos decidido que iamos lidar com a situação, fosse o que fosse o destino com que o Universo nos quisesse brindar :)

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  7. Um beijinho grande e terno em ti. Foi um grande grande susto, e tu/vocês provaram que é o amor que vos guia neste percurso. Emocionada te abraço

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  8. Li as tuas palavras e fiquei com a caganita ao canto do olho. Não quero imaginar o sufoco terrível desses dias.
    Que continue tudo a correr bem até ao final e que a Leonor venha com muita saúde.
    Aproveita cada bocadinho desta etapa da tua vida.
    Bj

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    1. Foi muito sufoco, acho que é mesmo a palavra certa. A incerteza dá cabo de mim... Vamos ver como corre tudo daqui para a frente :) Beijinhos!*

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  9. WOW, que sufoco. Devem ter sido dias muito complicados, até descobrires que afinal estava tudo bem! Nem consigo imaginar como deve ser... Mas parabéns pela gravidez! Acompanhava o teu blog há algum tempo atrás, entretanto ausentei-me da blogosfera por uns tempos e agora estou aos poucos a tentar regressar, e cá vi parar outra vez. Aproveita esta fase da tua vida e boa sorte! ;)

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